- Como lidar com pacientes que já tentaram para de fumar outras vezes e não obtiveram sucesso?
O tabagismo é considerado atualmente, pela Organização Mundial de Saúde, um doença crônica e recorrente. Logo, deve ser tratado da mesma maneira que as outras doenças crônicas, tais como o diabetes e a hipertensão. Os pacientes passam por períodos bem controlados alternados com outros totalmente fora de controle. O que não é admissível é desistir de tratar. Portanto, se ele já estiver convencido que deve abandonar o cigarro e está procurando ajuda médica, já percorreu um longo caminho, mesmo que não tenha percebido.
2. Como convencer o paciente a iniciar o tratamento?
A maioria das pessoas pensa que parar de fumar é só questão de "vergonha na cara". Infelizmente não é simples assim. O tabagismo é uma dependência química, com repercussões clínicas bastantes conhecidas. Trata-se de um hábito lícito, com a droga de acesso irrestrito e barato. Para abandonar o tabagismo, o paciente deve estar disposto a enfrentar a síndrome de abstinência, que dura em média três meses, podendo variar individualmente no tempo e tipos de sintomas. Aceitar que o tabagismo é uma dependência química não é fácil na nossa sociedade, pois esta definição é intimamente relacionadas a drogas proibidas. Este talvez seja um dos vários motivos que afastem as pessoas que estão tentando parar de fumar dos tratamentos psiquiátricos ou psicológicos. No entanto, procurar ajuda é fundamental. Menos de 5% dos fumantes conseguem parar e permanecer sem fumar sem auxílio.
Fonte: Guia prático no tratamento do tabagismo - A visão do cardiologista e do pneumologista.

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